domingo, 18 de agosto de 2024
domingo, 4 de agosto de 2024
ANTIGUIDADE CLÁSSICA - A PÓLIS GREGA (3º BIMESTRE)
A pólis grega era o modelo de cidade-estado da Grécia Antiga, organização fundamental para o desenvolvimento da cultura grega no final do período homérico, período arcaico e período clássico. O termo “polis” em grego significa “cidade”. Note que a pólis grega representa a base do desenvolvimento do conceito de cidade tal qual conhecemos hoje. A pólis surge no século VIII a.C., atingindo seu apogeu nos séculos VI e V a.C. Anteriormente, as pessoas se reuniam em pequenas aldeias (comunidade gentílicas agrícolas, denominadas “genos”) com terras de uso coletivo. A expansão demográfica e do comércio foram as principais causas para o surgimento da pólis, que incluía o campo e a cidade (centro). Foram, portanto, essenciais para fortalecer a organização dos membros da sociedade grega.
A pólis era composta por uma região urbana,
onde ficavam a ágora (praça central que servia para reuniões públicas), o
templo e o mercado onde eram realizadas as trocas. A área rural era formada
pelos campos vizinhos à cidade, cultivados tanto por camponeses livres quanto
por escravos. O poder era exercido pelos dono de terra. Cada cidade-Estado
grega era um centro político, social e religioso autônomo, ou seja, possuía sua
classe dominante, deuses e um sistema de vida próprios. Sua economia era autossuficiente
e cada cidade-estado era governada por um rei, o basileus, auxiliado por um
conselho formado por representantes da aristocracia e uma assembleia popular
composta pelos cidadãos, aqueles que tinham direitos políticos. A pólis era
controlada por uma oligarquia aristocrática e possuía uma organização própria
e, portanto, independência social, política e econômica.
A sociedade da Grécia Antiga se organizava de forma hierárquica e estratificada, com cada indivíduo ocupando um lugar específico na sociedade. A estrutura social era baseada na propriedade da terra e no nascimento, sendo que os homens livres eram os principais detentores de poder político e econômico. No topo da hierarquia estavam os aristocratas, ou nobres, que possuíam a maioria das terras e controlavam a política e a economia das cidades. Eles eram seguidos pelos cidadãos, homens livres que tinham direito a participar da vida política e militar, mas que tinham que cumprir determinados requisitos, como serem nascidos na cidade ou terem pais que eram cidadãos. Abaixo dos cidadãos estavam os metecos, estrangeiros que viviam nas cidades gregas e que não tinham direitos políticos, mas podiam ter sucesso na vida comercial e artesanal. Na base da hierarquia social estavam os escravos, que eram capturados em guerras ou nasciam em cativeiro e eram usados principalmente para trabalhar nas propriedades rurais. Dessa forma, a educação na Grécia Antiga era voltada principalmente para a formação dos cidadãos, que recebiam uma educação física e intelectual que incluía treinamento militar, música, poesia e filosofia. As mulheres, por sua vez, recebiam uma educação mais restrita, voltada para as atividades domésticas e a maternidade.
Na Grécia Antiga, a escravidão era uma prática comum e desempenhava um papel importante na sociedade. Os escravos eram considerados propriedade e não tinham direitos ou liberdade. Eles eram adquiridos através de várias formas, como guerra, comércio e até mesmo por nascimento, onde os filhos de escravos também eram escravizados. Os escravos na Grécia Antiga eram utilizados em várias áreas, como trabalho doméstico, agricultura, mineração, artesanato e até mesmo como tutores educacionais. Além disso, muitos escravos eram utilizados como servidores do Estado e do exército. A vida dos escravos na Grécia Antiga variava dependendo do seu dono. Alguns escravos eram tratados com relativa benevolência, enquanto outros sofriam maus-tratos e abusos. A condição dos escravos também dependia do seu trabalho e habilidades, sendo que escravos especializados podiam ter uma posição mais valorizada. Vale ressaltar que, apesar da escravidão ser uma prática comum na Grécia Antiga, nem todos os gregos eram proprietários de escravos. Aqueles que possuíam escravos eram geralmente os mais ricos e poderosos da sociedade.

As principais atividades econômicas da maioria das cidades estado gregas relacionavam-se com a agricultura, mas existia também uma atividade comercial intensa, particularmente o comércio marítimo. Em meados do século V a. C. Atenas caracterizava-se por ter uma forte economia baseada no comércio marítimo, na produção artesanal e na exploração mineira. O instrumento de troca privilegiado era a moeda ateniense, o dracma. As atividades económicas da maioria das polis gregas assentavam na agricultura. No entanto, o artesanato e o comércio eram outras das atividades desenvolvidas. O facto de os gregos se terem expandido pelo Mediterrâneo, com a fundação de colónias, possibilitou um intenso tráfico marítimo e comercial com a Grécia. A intensa atividade comercial desenvolvida também se fez sentir na Península Ibérica.
A presença dos gregos
teve um grande impacto nas populações indígenas, ao nível da cunhagem de moeda,
e introdução de novas culturas, novas técnicas agrícolas, indústrias de salga
de peixe, fabrico de cerâmica e tecidos. Deste modo, as atividades económicas
nas quais assentava a economia dos gregos, repercutiu-se por todo o espaço
mediterrânico e também chegou, direta ou indiretamente, à costa atlântica. A
influência grega, evidenciada pela arqueologia, não se limitou a um espaço do
Mediterrâneo com o qual os gregos contactavam regularmente. A fundação das suas
colónias incentivou e incrementou atividades económicas não só relacionadas com
a agricultura, mas também com o comércio, o artesanato e com a exploração de
recursos naturais, no caso particular da península Ibérica, metais preciosos. Atenas
tornou-se num dos principais centros comerciais do Mediterrâneo, sendo o Pireu
o principal local de entrada e saída de produtos. As principais culturas
desenvolvidas eram os cereais, a oliveira, a vinha e a figueira. A criação de
gado como as cabras, as ovelhas e o porco, complementavam as atividades
desenvolvidas. As montanhas eram propicias à produção de mel. Nas zonas
urbanas, as oficinas eram os locais de produção da olaria, da carpintaria,
vestuário e calçado assim como da metalurgia. A produção de vasos de cerâmica,
armas de ferro e bronze, estátuas e navios requeria matéria prima. Exploravam
rochas ornamentais como o mármore e extraíam do subsolo prata e chumbo.
MESOPOTÂMIA – REIS & CONSTRUÇÕES

A exploração do trabalho de uma parte da sociedade por outra cria, pela primeira vez na humanidade, antagonismos determinados pelo papel econômico exercido pelo indivíduo no grupo. É importante notar que não se está falando de divergências pessoais, questões subjetivas, mas de oposição socialmente determinada, portanto impessoal. O sacerdote não explorava o artesão pelo fato de ser, pessoalmente, um mau elemento, de possuir um mau caráter. Ele, na verdade, desempenhava o papel de organizador do processo de trabalho, em nome de cuja racionalidade agia. Havia, contudo, uma contradição aqui: os sacerdotes representavam um deus determinando, um templo determinado, não uma região, uma cidade. Os trabalhos públicos, os grandes empreendimentos não religiosos como -- principalmente, a construção de canais eram atividades que afetavam regiões ligadas a vários templos.
Surgimento dos reis
Por isso é que surgiram os dirigentes não vinculados aos templos, aqueles que mais tarde iriam se tornar os reis. Com os reis, os sumérios tinham também um chefe para as guerras, que eram atividades muito úteis tanto para a iniciativa comercial quanto para a obtenção de novas terras. Não é de acreditar que o rei tenha rompido com a religião. Pelo contrário, ele passa a atuar junto com ela. Dá dinheiro para construir ou decorar templos, fornece matéria-prima e às vezes até mão-de-obra. Em troca, busca a legitimação de seu poder, que, surgido dos homens, vai adquirindo caráter divino, fórmula que se tornou frequente na humanidade.
Representante dos deuses, o rei recebia a maior parte das terras do clã, além de impostos que eram a forma alternativa dos presentes oferecidos aos chefes tribais. Em casos de guerras, cabia-lhe a parte do leão dos saques efetuados, o que provocava uma concentração de riqueza maior ainda. Nesse período não há ainda algo que se pareça com unificação política: as cidades são independentes do ponto de vista político, embora interdependentes economicamente e extremamente homogêneas do ponto de vista cultural.
Ao contrário do Egito, em que a uma cultura unificada corresponde uma chefia única, na Mesopotâmia isso não ocorrerá tão cedo: pelo contrário, assistimos a um desfilar de reinos e reis que lutam entre si, não pela hegemonia, mas por um espaço político-econômico. A cultura, entretanto, estava em plena ebulição. Administrar uma cidade exigia mais que disposição e procuração divina: exigia instrumentos adequados, que se desenvolveram de forma notável na Mesopotâmia.
Construções
Os povos da Mesopotâmia são as civilizações que se desenvolveram na área das terras férteis localizadas entre os rios Tigre e Eufrates, na região atual do Iraque. Entre eles estão os sumérios, os assírios e os babilônios. Os mesopotâmicos consideravam “o ofício de construir” um dom divino ensinado aos homens pelos deuses e a arquitetura se desenvolveu na região. A escassez de pedras e madeira no local fez dos tijolos cozidos ao sol e da argila o material de construção mais usado.
Existem três fatores principais que contribuem para o estilo da arquitetura da Mesopotâmia:
ü A organização sociopolítica das cidades-estados sumérios e dos reinos e impérios que as sucederam.
ü O papel da religião organizada nos assuntos de Estado da Mesopotâmia.
ü Influências do ambiente natural: as limitações impostas ao artista e ao arquiteto pela geologia e clima da região.
Os materiais de construção na Mesopotâmia
Barro: O barro formado às margens dos rios Tigres e Eufrates era a matéria prima usada na arquitetura da Mesopotâmia. Poderia dar origem ao tijolo seco ao sol (adobe), ou cozido, raro por causa da escassez de madeira na região. Os Sumérios acreditavam que o barro foi o material usado pelos deuses para moldar os seres humanos, por isso ao trabalhar com barro estariam honrando os deuses.
Pedra: Embora as pedras fossem escassas, havia uma pedreira de calcário na região. Sua extração e transportes eram caros, por isso, eram usados apenas em templos, esculturas e joias. Betume: O betume que jorrava facilmente da terra era recolhido e usado como argamassa e na impermeabilização de tijolos.
Construção de templos e o nascimento do Zigurate
O templo é
o primeiro edifício com estrutura sólida na Suméria. No período arcaico era
pequeno, com uma única sala oval ou retangular. Com o tempo estes templos foram
assumindo formas mais complexas e desenvolvidas, incorporando estruturas
escalonadas que são conhecidas atualmente como Zigurate.
O Zigurate é uma forma de templo, criado pelos sumérios, e comuns para babilônios e assírios. Era uma estrutura maciça em forma de pirâmide com vários andares sobrepostos, com um templo no topo. O interior era feito de tijolos queimados, mais resistentes, enquanto o exterior era feito com tijolos cozidos ao sol, mais fáceis de serem produzidos porém menos resistentes. O acesso ao templo, no topo do zigurate, era feito por rampas ou escadarias. Apesar da semelhança com as pirâmides do Egito, sua estrutura interna e finalidade são bem diferentes: os zigurates não possuem câmaras internas e são templos religiosos destinados à moradia dos deuses, diferente da complexa estrutura das pirâmides. Apesar da proximidade e semelhança com as pirâmides do Egito Antigo, eram construções com estrutura interna e finalidade bem distinta. As pirâmides egípcias são estruturas complexas com a destinação mortuária do representante dos deuses na terra, o faraó, sendo a maior delas a pirâmide de Queóps, localizada no Complexo de Gizé com a sua imensa esfinge. Os zigurates, por sua vez, não possuíam destinação mortuária nem a vaidade do poderio faraônico, sendo templos religiosos destinados à moradia dos deuses e à observação dos astros. As cidades costumavam crescer ao redor desses templos-cidades, irradiando, assim, a fervorosa religiosidade do seu povo. A título de curiosidade: os sumérios teriam descoberto cinco planetas!
A origem dos Zigurates é apontada como vinda dos misteriosos e incríveis sumérios e logo teria se alastrado aos demais povos da região, sendo erguidos às dezenas entre 2200 e 500 a.C.. As construções eram feitas com tijolos queimados através da sobreposição de plataformas, que contavam com escadarias circundando a estrutura. Atualmente, ao menos vinte construções do tipo resistem ao tempo e a maior delas se encontra em Chogha Zanbil, no Irã, onde impõe dimensões 24 metros de altura por 100 metros de base.
A MESOPOTÂMIA E O ÉPICO DE GILGAMESH
Os feitos de Gilgamesh, rei de Uruk, na antiga Mesopotâmia, foram
cantados por dois mil anos até que um grande incêndio, em 612 a.C. devastou a
biblioteca de Nínive, que guardava os registros escritos. Sem eles, o nome de
Gilgamesh foi sendo pouco a pouco esquecido até desaparecer completamente.
Desapareceram, também, os registros das sociedades que povoaram a Mesopotâmia e
regiões vizinhas, e com eles, o passado do Oriente Próximo. Passaram-se outros
dois mil e quatrocentos anos quando o arqueólogo britânico Austen Henry Layard
descobriu as ruínas soterradas da biblioteca de Nínive, em meados do século
XIX. Foram encontradas cerca de 30.000 plaquetas de argila com escrita
cuneiforme. Eram fragmentos que formavam 1.200 textos distintos. Entre eles,
estavam as 12 plaquetas contendo a Epopeia de Gilgamesh. A fabulosa história
desse herói foi recuperada 48 séculos depois de seu reinado e, mais uma vez,
encantou historiadores e o público leigo.
A Epopeia de Gilgamesh é um antigo poema épico mesopotâmico, escrito pelos sumérios em algum momento em torno de 2000 a.C. Essa história narra os feitos de Gilgamesh, rei de Uruk, em sua procura pela imortalidade. Ela é considerada a obra de literatura mais antiga da humanidade. Como parâmetro disso, basta lembrar que os famosos poemas homéricos surgiram cerca de 1500 anos depois dessa epopeia suméria. A Epopeia de Gilgamesh foi localizada por arqueólogos em doze tábuas de argila, cada qual contendo cerca de 300 versos. No entanto, historiadores consideram apenas as 11 primeiras tábuas, uma vez que a 12ª possui uma versão sintética da história que contradiz as outras inscrições. Essas tábuas foram encontradas em uma escavação que ocorreu no século XIX, na região onde ficava a antiga cidade assíria de Nínive. Essas escavações eram conduzidas pelo arqueólogo britânico Austen Harry Layard, que, em 1849, localizou uma série de itens pertencentes à Biblioteca de Nínive, dos quais as tábuas da Epopeia de Gilgamesh faziam parte.
O trabalho de tradução da obra foi realizado por Henry Rawlinson e George Smith na segunda metade do século XIX. A tradução desse poema épico somente foi possível graças à Inscrição de Dario, que transcrevia caracteres cuneiformes para três idiomas: persa, babilônio e elamita. Esse trabalho foi ampliado quando novos trechos da história foram encontrados posteriormente.
A obra
encontrada nessa época foi escrita pelos sumérios e recebeu o nome de
Sha-naqba-imru (Aquele que viu a profundeza) ou Shutur-eli-sham (Aquele que se
eleva sobre todos os reis). Tempos depois, o original dela em sumério foi
transcrito a mando do rei assírio Assurbanípal (668 a.C. - 627 a.C.) e foi
armazenado na Biblioteca de Nínive. A Epopeia de Gilgamesh parece ter sido
bastante conhecida na região, pois pesquisas localizaram diversas traduções e
adaptações feitas a partir dela, em idiomas como o hitita e hurrita e em
diferentes locais como Nippur, Uruk e na antiga capital hitita, que se chamava
Hattusa.
A narrativa da Epopeia de Gilgamesh conta os eventos de Gilgamesh, rei
de Uruk. De acordo com a Lista Real Sumeriana (lista todos os reis sumérios),
ele foi o quinto rei dessa cidade. Segundo ainda essa lista, o reinado de
Gilgamesh sobre Uruk foi de 126 anos, e ele aparece no épico como filho da
deusa Ninsuna. Esse rei sumério existiu, provavelmente, no período entre 2800
a.C. e 2500 a.C. Na história narrada pelo poema, Gilgamesh é apresentado como
um rei despótico, arrogante e que oprimia o povo da cidade de Uruk. Os deuses,
então, criaram Enkidu do barro e enviaram-lhe ao encontro de Gilgamesh com a
missão de torná-lo mais humilde. Os dois tornaram-se amigos e iniciaram uma
trajetória marcada por muitas aventuras, e, em uma dessas aventuras, ambos
desrespeitaram a deusa Inana. Os deuses resolveram matar Enkidu como punição
pelo desrespeito a essa deusa, e, Gilgamesh, entristecido, iniciou uma outra
jornada em busca da imortalidade.
Nessa jornada pela imortalidade, Gilgamesh foi ao encontro de Utnapishtim, um herói conhecido por ter alcançado a imortalidade após sobreviver a um grande dilúvio. Durante esse grande dilúvio, Utnapishtim teria construído uma grande arca a mando dos deuses e abrigado sua família e um grande número de animais nela. Esse herói prometeu a imortalidade para Gilgamesh, desde que ele cumprisse algumas missões. Entretanto, o rei falhou nessas missões e retornou para Uruk. A menção ao dilúvio é uma parte da narrativa que chama a atenção por causa da semelhança com a narrativa bíblica sobre o dilúvio e a trajetória de Noé. Os historiadores acreditam que a história suméria tenha servido de influência para a formulação da narrativa hebraica sobre o dilúvio. Esses especialistas sugerem ainda que, além desse, existam outros aspectos da cultura hebraica que também foram herdados da cultura suméria."
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